Carro na garagem: conheça pessoas que adotaram a bicicleta para ir ao trabalho

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Nos países mais ricos da Europa, como Alemanha e Grã-Bretanha, o mercado de veículos é maior que o brasileiro, mas isso não significa que lá as pessoas dependam tanto dos carros particulares como aqui. Na verdade, os consumidores muitas vezes preferem deixar seus automóveis em casa a maior parte do tempo e usa-los apenas no fim de semana, para passear com a família ou viajar. E vão para o trabalho recorrendo a modos alternativos de locomoção, como o transporte público ou a bicicleta.

No Brasil, ainda estamos longe de chegar a esse estado, mas já é possível encontrar exemplos de quem resolveu deixar o carro na garagem durante boa parte do tempo para pedalar – já que o transporte público ainda deixa a desejar em muitos aspectos. Auto Blog Ceará cita aqui três experiências de motoristas que passaram e ser ciclistas e mostra os relatos de como essa mudança transformou suas vidas para melhor, segundo a opinião de todos.

O professor e estudante de mestrado Yure de Abreu (foto de capa da matéria), proprietário de um veículo com câmbio automático, conta que resolveu mudar a forma de se locomover há aproximadamente três meses, depois de uma colega que tinha tomado essa decisão lhe relatar os benefícios para a saúde e para o bolso. “Eu já usava a bicicleta por lazer e pensei: posso fazer dela meu meio de transporte, já que o trânsito em Fortaleza anda cada vez mais complicado”, lembra.

Nesse período, Yure descobriu um fato curioso: por causa da lentidão e dos engarrafamentos, a primeira vantagem da bicicleta é chegar mais cedo nos lugares do que se o trajeto tivesse sido feito de carro. “Já saí no mesmo horário que minha esposa e ela chegou 40 minutos depois”, afirma. Ele acredita que a bicicleta também é mais rápida que o ônibus – mesmo com o crescimento das faixas exclusivas para transporte coletivo na cidade.

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Dayane Costa já usa bicicleta há mais de um ano

Responsável pela mudança de hábitos de Yure, a também professora Dayane Costa tem mais experiência que ele com a vida sobre duas rodas. Há um ano e meio decidiu deixar o carro na garagem e tira-lo apenas quando precisa dar carona para os amigos ou sair à noite. Moradora da Parangaba, ela trabalha na avenida Bezerra de Menezes e se habituou a fazer tudo de bicicleta. “Se ficar muito tarde, peço para alguma pessoa da família vir me buscar e coloco a bicicleta no transbike (acessório que prende a bicicleta no pára-choque do carro)”.

Outro que relata os benefícios trazidos pela decisão de tornar o carro uma exceção no dia-a-dia foi o servidor público e professor Sidney Soares. Ele conta que tudo começou por dois motivos básicos: consciência ambiental e busca por mais saúde. “Eu precisava perder peso e às vezes não conseguia ir para a academia. A bicicleta foi uma forma de fazer exercícios”, explica.

Vantagens no bolso da bicicleta

Além do ganho em saúde, por causa da atividade aeróbica de pedalar, os entrevistados são unânimes em afirmar que o hábito de andar de bicicleta representa uma boa economia em relação ao carro. Yure lembra que quando andava só de carro gastava, em média, um tanque de gasolina por semana.

A mudança de hábito, segundo ele, resultou em uma economia de 600 reais por mês. Já Dayane contabiliza pelo menos R$ 300 de economia mensal.  Vale ressaltar, ainda, que não foram incluídos nesses cálculos os gastos com manutenção dos veículos e despesas como lavagem e estacionamento.

Nem tudo são flores

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Para Sidney Soares, ainda falta uma cultura de mais respeito aos ciclistas em Fortaleza

A falta de estrutura (e cultura) para uma sociedade menos dependente de carros se reflete no cotidiano dos ciclistas. Os entrevistados relatam alguns problemas que precisam ser resolvidos para facilitar a vida de quem opta por esse tipo de transporte. Um deles é a falta de condições em muitas vias, seja por buracos, falta de ciclovias e ciclofaixas ou de consciência por parte de motoristas, motociclistas e até pedestres e outros ciclistas.

“Eu ando pela ciclovia da avenida Washington Soares e os problemas são muitos. Buracos, pessoas andando a pé e até colegas ciclistas que param no meio do caminho, atrapalhando”, relata Sidney. Já Yure se queixa da falta de estrutura em locais que poderiam dar suporte aos ciclistas, oferecendo banheiros e bicicletários de qualidade. “Muitos bicicletários ainda são do modelo antigo, que danifica os raios”, afirma.

Dayane, por fim, se queixa da violência. “Já tive uma bicicleta roubada”, lembra. Ela relata que, por causa do incidente, resolveu comprar um modelo mais simples e buscar ajuda quando se vê tendo que andar com o veículo à noite. “Falta em Fortaleza um serviço como o Uberbike”, diz ela, referindo-se aos carros que trabalham com o aplicativo e têm suporte para bicicleta. Esse serviço já é oferecido em alguns estados brasileiros.

Rotina bem programada

Um fato interessante é que os entrevistados por Auto Blog Ceará têm um ponto em comum: são professores e/ou servidores públicos com uma rotina estável de trabalho. Isso os permite fazer uma programação do dia e, dessa forma, usar a bicicleta com tranquilidade e recorrer ao carro apenas nas exceções. É bem diferente do cotidiano de quem trabalha precisando se deslocar para vários lugares durante o dia ou lida com muitos imprevistos.

Para Sidney, no entanto, usar a bicicleta tem mais relação com a mudança de mentalidade do que com a rotina. “O fato de ser professor me ajuda, mas o tempo é uma questão de prioridade”, afirma.

 

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