Umidade e seus perigos – Uma pesquisa realizada pela Webmotors revela que a maioria dos brasileiros já adota uma rotina regular de manutenção preventiva com os seus veículos e tem consciência da importância deste cuidado. Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados realizam a revisão do carro pelo menos duas vezes ao ano, 26% fazem uma inspeção anual e 17% examinam o veículo a cada quatro meses, avaliando elementos essenciais, como os lubrificantes automotivos.
Em geral, a manutenção preventiva é sempre mais econômica do que esperar um problema aparecer. Porém, mesmo com as revisões em dia, imprevistos podem acontecer. Em períodos de chuva mais intensas e frequentes, por exemplo, surge um novo desafio relacionado à umidade elevada. Ela se torna um agente de deterioração que impacta diretamente o funcionamento, a confiabilidade e a segurança dos veículos e de seus componentes, exigindo um olhar ainda mais atento sobre a lubrificação e a manutenção.
Os efeitos da umidade para os sistemas veiculares
A umidade é um dos principais agentes de desgaste do veículo, afetando desde a performance do motor e a integridade de componentes eletrônicos até a segurança dos ocupantes. Entre os principais impactos para o automóvel estão a corrosão, falhas elétricas, contaminação de fluidos e mofo em seu interior.
Levando em consideração os sistemas elétricos e eletrônicos, a umidade atua como condutor, podendo ocasionar curtos-circuitos, falhas em sensores, luzes intermitentes e dificuldades na partida do motor. Além disso, a infiltração de água em terminais de bateria e caixas de fusíveis favorece a oxidação, interrompendo o fluxo de corrente elétrica, podendo levar a falhas imprevisíveis.
No sistema de freios, o problema também é crítico, pois o fluido responsável pelo acionamento desse sistema é higroscópico, o que significa que ele absorve água do ambiente, e o excesso de umidade reduz o ponto de ebulição do produto. Em situações de frenagens intensas ou em descidas prolongadas, o fluido pode ferver e virar gás, o que causa a perda de eficiência da frenagem. A presença de água também acelera a corrosão de componentes internos, como pistões de pinça e cilindros.
Além dos sistemas mecânicos e elétricos, a umidade pode comprometer o conforto interno dos ocupantes. A condensação no sistema de ar-condicionado, bancos e carpetes favorece a proliferação de mofo e odores desagradáveis. O ar-condicionado, por sua vez, sofre para desumidificar o ar, o que aumenta o consumo de energia e sobrecarrega o compressor.
Contaminação do lubrificante
No entanto, um dos impactos mais severos da umidade está relacionado à contaminação do lubrificante, especialmente em dias de chuva e situações de trânsito intenso e trajetos curtos. Nestes cenários, o motor pode não atingir a temperatura ideal de operação, condição necessária para evaporar a umidade interna, o que facilita a condensação de água no cárter e o contato dessa umidade com o óleo lubrificante.
Essa mistura forma emulsões e borras que reduzem a eficiência do lubrificante, alteram a viscosidade do óleo e reduzem a capacidade de formação da película protetora entre as superfícies metálicas, levando a um contato direto metal-metal, maior atrito, geração de calor excessivo e desgaste acelerado. A água também acelera a oxidação do lubrificante e das superfícies metálicas, transformando o óleo em uma substância menos eficaz e mais corrosiva.
Em casos extremos, a água pode ser aspirada para dentro do motor, gerando falhas na admissão e causando o chamado calço hidráulico. Como a água não é compressível, ela impede o movimento completo dos pistões, o que pode levar a bielas empenadas ou quebradas, além de danos ao bloco do motor, causando reparos de alto custo.
Componentes mecânicos e lubrificação sob risco
A presença de umidade não afeta apenas o óleo, mas também os componentes que dele dependem para operar com segurança. Sem uma película lubrificante contínua, rolamentos, engrenagens e superfícies deslizantes ficam diretamente expostos ao contato metálico, aumentando o risco de desgaste prematuro e falhas súbitas. A água atua, ainda, como agente de corrosão, agravando a formação de ferrugem e microtrincas sob carga elevada, fatores que comprometem a vida útil de sistemas como transmissão e mecanismos internos do motor.
Em sistemas hidráulicos, a umidade pode causar cavitação, em que bolhas de vapor implodem sob alta pressão, desprendendo microfragmentos de metal das superfícies internas e acelerando o desgaste. Nesse cenário, a lubrificação ineficaz pode causar travas ou quebras em componentes, custos elevados de manutenção e riscos severos à segurança do veículo e seus passageiros.
Revisões e a escolha do lubrificante com base em suas propriedades
Diante dos impactos da umidade, é essencial que a manutenção e a troca de óleo recebam ainda mais atenção em regiões ou épocas com maior incidência de chuvas, considerando que, neste cenário, há maior exigência sobre motor, freios, sistemas elétricos e lubrificantes.
Nem todo produto convencional oferece proteção adequada sob alta umidade. Por isso, é recomendável o uso de lubrificantes de alta qualidade, com tecnologia avançada e propriedades específicas para enfrentar ambientes agressivos.
Características como resistência à oxidação, estabilidade térmica e poder detergente e dispersante tornam o fluido mais eficaz na separação de água, na prevenção da formação de borras e na proteção das superfícies metálicas. Esses atributos ajudam a manter a viscosidade adequada, formar a película lubrificante protetora e minimizar a corrosão, aspectos especialmente importantes em tempos de chuva intensa.
Diante disto, revisões adaptadas ao clima, lubrificantes de alta performance e uma rotina de inspeção cuidadosa são essenciais para enfrentar as condições severas impostas pela umidade, protegendo o motor e seus sistemas auxiliares, garantindo uma experiência de uso mais segura e duradoura do veículo.
Marcelo Martini é gerente de vendas do Aftermarket da Fuchs, fabricante independente de lubrificantes e produtos relacionados


