Evento: setor de autopeças discute perspectivas para 2016

Compartilhe:

Em um cenário de crise, períodos de dificuldades econômicas podem ser oportunidades para alguns setores, se eles souberem se reinventar. Essa foi a tônica da 3ª edição do Seminário Automotivo do Nordeste, promovido pelo sistema Assopeças/Sincopeças-CE em Fortaleza na primeira semana de dezembro. O evento reuniu representantes de lojas, fábricas e distribuidoras de toda a região e de outros estados para um ciclo de palestras e debates com três temas principais: perspectivas para 2016, como agregar valor aos serviços do setor e como formar equipes de elite nas empresas.

Paulo
Paulo Storani, palestrante principal do seminário

Para destacar a importância da determinação e da perseverança para enfrentar momentos de crise, o seminário teve como palestrante principal o ex-integrante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, Paulo Storani. Sua apresentação teve como tema “Construindo uma tropa de elite”.

Nessa busca por novos rumos, o gerente regional da Sama Laguna, Antônio de Padua Barros, lembrou que existem setores que podem servir como referência para as empresas de autopeças. As indústrias de bebidas, lubrificantes e medicamentos se reinventaram. “O seminário foi oportuno para começarmos o ano com otimismo, discutindo as oportunidades”, concluiu ele, ressaltando que cerca de 85% do mercado de reposição depende do setor de autopeças e isso deve ser bem aproveitado.

Pedro Luiz Scopino, diretor técnico da Automecanica Scopino e vice-presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa) de São Paulo, seguiu o mesmo raciocínio. “A crise está fazendo as pessoas pararem de comprar carro zero km e buscarem manutenção nos seus veículos. O ano de 2016 será uma excelente oportunidade para o mercado”, disse.

Para Edvaldo Souza, gerente nacional de vendas da Mahle Metal Leve, um componente importante que precisa ser resgatado é a confiança. Segundo o executivo, ela é o maior estímulo da economia. “As pessoas que podem investir estão se retraindo, porque não sabem como vai ser o cenário daqui a algum tempo”, destacou. Ao mesmo tempo, no entanto, ele disse acreditar que a queda significativa nas vendas de veículos novos registrada em 2015 é uma oportunidade para o mercado de reposição e isso precisa ser considerado pelo setor de autopeças na hora de definir os investimentos. “A queda nas importações vai aumentar a venda de produtos locais”, sentenciou.

“O brasileiro é mestre em crises, nós vivemos uma cada quatro anos. É como as olimpíadas”, brincou Simone de Azevedo, diretora comercial da Mobensani. Ela lembrou que agora é hora das empresas saírem de sua zona de conforto para investir em formação de pessoal e capacidade produtiva para atender uma demanda que ela acredita ser crescente a médio e longo prazo, com o encarecimento de itens importados causado pela alta do dólar.

Ricardo Pessoa, diretor comercial da Tecfil Filtros, garantiu que o setor saberá encontrar suas soluções. “O ano de 2016, se não for de crescimento nos volumes de vendas, será o ano em que vamos reencontrar o norte”, assegura. Para ele, se as empresas aplicarem o manual de boas práticas de gestão, buscando ganho de produtividade, criatividade, redução de custos e flexibilidade comercial, irão responder bem quando a economia se recuperar.

Ranieri
Ranieri Leitão, presidente do sistema Assopeças/Sincopeças

Ranieri Leitão, presidente do sistema Assopeças/Sincopeças, destacou que, na sua avaliação, o setor deve evitar o negativismo. “Não podemos ficar independentes da economia do País, mas é possível incrementar os negócios com capacitação, busca por novas fontes de crédito e melhoria no atendimento”, disse. Segundo ele, o melhor caminho é buscar alternativas para depender menos do setor público.

Participantes destacaram importância do seminário
Organização, periodicidade e credibilidade. Estes foram alguns dos conceitos citados pelos entrevistados em relação ao Seminário Automotivo. Liana Holanda, da Sertões Off Road Comércio e Serviços, definiu o evento como “fantástico e que só tem a contribuir para o desenvolvimento do setor de reparação”. Segundo ela, o seminário tem apresentado evolução a cada ano e mostrando participantes bastante focados no principal objetivo, que é debater os problemas do segmento e encontrar soluções.

Gerson Prado, diretor comercial da SK Automotive, afirmou que a empresa tem 41 unidades no Brasil, o que lhe dá oportunidade conhecer diversas iniciativas do setor de autopeças e, segundo ele nenhuma é tão bem preparada quanto as do Ceará. “O Seminário Automotivo do Nordeste é o evento mais organizado do País. O Ceará, quando se fala em autopeças, está na vanguarda”, garantiu.

Associativismo é um bom caminho
Segundo Felipe Sidrão, gestor estadual de unidade de comércio e serviços do Sebrae Ceará, há mais de 10 anos a entidade mantém uma parceria com o Sistema Assopeças/Sincopeças e o momento é propício para estimular ainda mais uma das principais vertentes desse trabalho conjunto, que é a criação de cooperativas.

“O caminho é o associativismo. Ele ajuda nos treinamentos de gestão, na capacitação dos funcionários, através do Sebraetec (programa que aproxima pequenos negócios e prestadores de serviços e atua nas áreas de design, produtividade, propriedade intelectual, qualidade, inovação, sustentabilidade e Tecnologia da Informação e Comunicação)”, afirmou Felipe.

Ele concluiu ressaltando que um aspecto importante a ser observado pelas empresas do setor automotivo é a adequação às normas ambientais. Além de reduzir custos, a medida é importante porque muitas empresas do setor trabalham com resíduos de alto risco.

Confira fotos do evento:

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais conteúdo para você

Relacionados

i20

Hyundai lança i20, SUV de entrada a partir de R$ 99.990,00

Novo i20 – Chega ao mercado mais um modelo que as montadoras tentam chamar de intermediário entre hatchs e SUVs compactos. O novo Hyundai i20 é apresentado pela fábrica como um carro que é “maior que os hatchbacks convencionais, traz amplo espaço interno e pacotes completos de segurança e tecnologia e se apresenta como opção altamente competitiva para aqueles que estão em transição rumo ao mundo dos SUVs”. Por transição, leia-se os consumidores que querem muito o status de um SUV mas precisam pagar o preço mais “em conta” possível e que não esteja muito acima do valor de um hatch. Com preços a partir de R$ 99.990, o i20

ID.4

ID.4 será o primeiro elétrico da Volkswagen à venda no Brasil

Fabricante do Polo, o veículo a combustível mais vendido do Brasil, a Volkswagen anunciou que, finalmente, trará um modelo 100% elétrico para comercialização em seu portfólio no nosso mercado. Segundo a fábrica, o SUV ID.4 “é um dos modelos mais importantes na ofensiva global de eletrificação da Volkswagen e está com passaporte carimbado para chegar ao Brasil”. Ele deve chegar ainda em 2026. A empresa não revelou dados sobre o carro, embora tenha adiantado que ele vem em versão única. A promessa é de que ele chegará com uma configuração mais avançada do que a disponibilizada por meio da modalidade de assinatura VW Sign&Drive (aluguel de carro direto com a

caminhões

Artigo: a nossa perigosa dependência do transporte via caminhões

Caminhões – O Brasil é um gigante continental que tenta se mover por um gargalo. É impossível olhar para o nosso mapa logístico sem sentir o peso de uma escolha histórica: abrimos mão dos trilhos para apostar tudo no transporte de caminhões em asfalto. Enquanto os Estados Unidos operam sobre mais de 260 mil quilômetros de ferrovias e a Europa integra modais com precisão cirúrgica, o Brasil sobrevive com uma malha ferroviária de apenas 32 mil quilômetros. Na prática, isso significa que a espinha dorsal da nossa economia, ou seja, 65% de tudo o que produzimos e consumimos, repousa sobre quatro eixos e uma carroceria, estrutura básica dos caminhões. Neste

umidade

Artigo: entenda o impacto da umidade sobre o desempenho do carro

Umidade e seus perigos – Uma pesquisa realizada pela Webmotors revela que a maioria dos brasileiros já adota uma rotina regular de manutenção preventiva com os seus veículos e tem consciência da importância deste cuidado. Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados realizam a revisão do carro pelo menos duas vezes ao ano, 26% fazem uma inspeção anual e 17% examinam o veículo a cada quatro meses, avaliando elementos essenciais, como os lubrificantes automotivos. Em geral, a manutenção preventiva é sempre mais econômica do que esperar um problema aparecer. Porém, mesmo com as revisões em dia, imprevistos podem acontecer. Em períodos de chuva mais intensas e frequentes, por exemplo, surge um

Assine

Recebe novidades e ofertas de nossos parceiros na integra em seu e-mail