Mini Baja cearense: estudantes constroem veículo para participar de competição nacional

Mini Baja

Compartilhe:

“No Ceará tem disso, sim”. Essa frase funciona como uma resposta bem humorada à música “No Ceará não tem disso, não”, do cantor Luiz Gonzaga, e geralmente é usada para dizer que, apesar das (muitas) adversidades, os cearenses conseguem realizar feitos notórios. E poderia servir como um epíteto para a Equipe Siará Baja, um grupo de estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) que construiu, o Mini Baja, um veículo off road à custa de muito suor (literalmente) e esforço.

Tarefa de extensão dos alunos, ou seja, uma atividade extracurricular, ela envolve boa parte das tarefas relacionadas ao complexo expediente que é projetar, fabricar e manter um veículo automotor. O principal objetivo é participar da 23ª temporada da competição Mini Baja SAE, evento promovido pela Society Automotive Engineers (Sociedade de Engenheiros Automotivos, em português). O campeonato envolve uma prova regional, que acontece em novembro, e uma nacional, programada para março de 2017.

Como quase tudo no Brasil, a tarefa não é barata. Segundo os alunos, um protótipo pronto para a competição custa em torno de R$ 30 mil reais. O apoio da universidade vem através de fornecimento de equipamentos e oficina, orientação de professores (um orientador e quatro consultores) e logística para participar das provas em outros estados. O resto – arrecadação, divulgação e testes, além da construção do veículo – é com os alunos.

Para isso, eles organizam uma estrutura similar à de uma empresa, com organograma bem definido e dois setores: o administrativo, que engloba RH, marketing e departamento financeiro, e o de projetos, composto por direção, suspensão, powertrain, elétrica, chassi, freio e design.

Na parte da arrecadação para lidar com toda essa estrutura, entra o jeito cearense de “se virar” com o que tem. “Fazemos rifas e cada membro da equipe faz uma contribuição mensal”, explica Eduardo Alencar, responsável pelo setor de elétrica do carro. Ele lembra, no entanto, que empresas interessadas em patrocinar o trabalho, associando seu nome a um esforço que leva o nome do Ceará para todo o país, são bem vindas.

dsc_0547
Parte da equipe que desenvolveu o Mini Baja da UFC

Mini Baja é exercício multidisciplinar

Além de áreas que envolvem a produção de um veículo mas não estão diretamente ligadas à parte mais técnica, como Design, Marketing e administração de recursos, o desenvolvimento do Mini Baja abrange um trabalho pesado de Engenharia. A SAE determina algumas especificações, como o motor, que é padronizado (um monocilíndrico de 305 cilindradas da empresa norte-americana Briggs&Stratton, com 10 cv de potência) e faz exigências relativas à segurança.

A equipe é formada por 20 alunos dos cursos de Engenharia Mecânica, Elétrica e Agronomia e Design. O desafio dos estudantes é construir o carro alterando itens como peso, a relação entre torque e potência, regulagem da suspensão e dos freios e determinando o tipo de transmissão.

Em relação a esse último item, a equipe cearense resolver usar um câmbio CVT, tecnologia que hoje tem sido adotada por algumas fábricas, como a Nissan, e garante mais conforto e segurança para o motorista, já que faz a mudança das marchas de forma suave e estável. Segundo eles, a principal novidade do protótipo que está em desenvolvimento é um sistema eletrônico de leitura e armazenamento de dados que ajudará durante a competição e na otimização do veículo.

Dois carros Mini Baja em uso e meta ambiciosa

A determinação dos alunos da UFC permitiu um nível tal de organização que hoje eles trabalham com dois protótipos: um de testes (veja vídeos abaixo mostrando detalhes do veículo) e outro que está em desenvolvimento e deve ser usado nas próximas competições (regional e nacional) da SAE. Veja mais informações sobre as provas no endereço portal.saebrasil.org.br/programas-estudantis/baja-sae-brasil.

A meta, de acordo com os estudantes, é conquistar um feito inédito: levar o nome da UFC para a competição internacional, nos Estados Unidos. Seria sonhar alto demais? Para a população de um Estado que desde sempre vive em condições pouco favoráveis mas tem dito cada vez mais “aqui tem disso, sim”, principalmente em relação a estudantes se destacando nacionalmente em exames concorridíssimos, é bom não duvidar.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais conteúdo para você

Relacionados

eletrificados

Artigo: o desafio da pós-venda de veículos eletrificados

Por Guilherme Porazza Dias, gerente de mobilidade da TÜV Rheinland   Eletrificados – O Brasil emplacou mais de 181.542 veículos elétricos plug-in em 2025. Isto representa um crescimento de 44% em comparação com o ano anterior, quando foram vendidos 125.624. Além disso, a frota de veículos plug-in em circulação já é superior à 410 mil, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Ainda de acordo com a ABVE, no ano passado os eletrificados representaram 9% nas vendas dos veículos leves novos, chegando a 13% em dezembro. Um dos fatores que impulsionam o crescimento é a expansão dos pontos públicos e semipúblicos de recarga, que segundo a ABVE cresceu

mulheres no setor automotivo

Mulheres no setor automotivo: mais motoristas, mais mecânicas

Em 1980, o Brasil tinha, em média, 98,7 homens para cada 100 mulheres. Em 2022, esse número havia baixado para 94,2. Revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa diferença faz parte de uma realidade que percebemos facilmente no cotidiano: a participação feminina nos mais diversos setores da sociedade só aumenta. E o universo automotivo não fica fora disso. Além de influenciar na decisão de compra do automóvel nas famílias que têm homens, as mulheres estão assumindo, em uma proporção crescente, sozinhas as suas próprias famílias, e com renda suficiente para escolher o modelo que quiserem, sem influências. Essa autonomia também se estende para a manutenção: Elas querem

carro elétrico

Volvo lança carro elétrico com mais de 500 km de autonomia

Carro elétrico – O novo Volvo ES90 chega destacado pela montadora por ser o seu primeiro carro totalmente elétrico a superar os 500 km de autonomia, usando parâmetros do Inmetro – que costuma ser mais rigoroso que institutos de medição internacionais. O alcance total, de acordo com a empresa, é de 524 km. E isso com um conjunto propulsor formado por dois motores elétricos que combinam uma potência total de 680 cv, 870 Nm de torque e é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em quatro segundos, O modelo também é o primeiro carro elétrico da Volvo com tecnologia de 800V, oferecendo carregamento mais rápido do que qualquer

RAV4 XSE

Toyota amplia estratégia de eletrificação com RAV4 XSE plug-in híbrido

A Toyota ampliou sua estratégia de eletrificação no Brasil com a chegada da RAV4 Híbrida Plug-in (PHEV) 2026 na versão XSE. Dando continuidade à expansão de seu portfólio de soluções voltadas à descarbonização da mobilidade, o modelo chegou ao mercado brasileiro com preço de R$ 399.990. O conjunto motriz da RAV XSE combina o motor 2.5L Dual VVT-i 16V DOHC, que entrega 189 cv e 24,2 kgfm de torque, a três motores elétricos, responsáveis por 206 cv no eixo dianteiro e 55 cv no traseiro. Juntos, os sistemas desenvolvem potência combinada de 329 cv, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em 5,7 segundos e velocidade máxima de 180 km/h.

Assine

Recebe novidades e ofertas de nossos parceiros na integra em seu e-mail