Mercado de veículos: quase metade dos modelos no Brasil comprados à vista

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No auge da euforia econômica que o Brasil viveu em meados da década de 2000, houve gente comprando carro em até 84 parcelas. Era um tempo de crédito fácil e compradores animados com o dinheiro que sobrava do salário. Agora, com a restrição aos financiamentos, por parte dos bancos, e a falta de confiança do consumidor, a realidade do mercado de veículos é bem diferente. Além da queda nas vendas, as concessionárias têm registrado uma mudança radical no comportamento dos clientes.

Em setembro, 44% dos automóveis e comerciais leves comercializados no mercado nacional foram pagos à vista, sem parcelamento. De acordo com os dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef), o número é recorde. Até então, o maior percentual tinha sido de 42%, atingido no primeiro semestre deste ano.

“Este setor é movido por três pilares: confiança, renda e crédito. Enquanto o consumidor não recuperar a sua confiança e renda, ele não vai recorrer a um financiamento por medo de não quitar a dívida e ficar inadimplente. Além disso, ele perde o veículo e o valor que até então foi investido”, afirma o presidente da entidade, Gilson Carvalho.

Entre os veículos que ainda foram financiados, o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) continuou sendo a modalidade mais procurada pelo consumidor. Eles responderam por 50% dos negócios, enquanto o consórcio foi responsável por 5% e o leasing, 1%.

Recursos liberados para o mercado de veículos

Diante desse cenário, foram concedidos R$ 6,6 bilhões na carteira de CDC em setembro para o mercado de veículos. Esse volume é 9,2% inferior ao registrado em agosto e 5,9% menor na comparação com o mesmo mês de 2015. Para as pessoas físicas foram destinados R$ 5,8 bilhões (queda de 8,5% em relação a agosto e de 6,2% com o setembro do ano passado). Já para as pessoas jurídicas, foram concedidos R$ 765 milhões (montante 14,6% menor em relação a agosto e 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado).

Com isso, o total de recursos liberados nos nove primeiros meses deste ano somou R$ 58,1 bilhões, o que representa um recuo de 13,8% nos últimos doze meses. Para as pessoas físicas, foram destinados R$ 51,5 bilhões, montante 14,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O total concedido para as pessoas jurídicas foi de R$ 6,6 bilhões – volume 7,5% menor em relação aos nove primeiros meses de 2015.

Nas operações de leasing, foram liberados R$ 148 milhões (montante 2,6% inferior a agosto e 40,6% menor em relação a setembro de 2015). Desse total, R$ 111 milhões foram destinados para pessoas físicas (menos 8,3% na comparação com agosto e de 27,9% em relação ao mesmo período do ano passado), enquanto que, para pessoas jurídicas, foram concedidos R$ 37 milhões (alta de 19,4% em relação ao mês anterior e redução de 61,1% na comparação com o mesmo período do ano passado).

O total acumulado no ano é de R$ 1,5 bilhão, redução de 31,5% nos últimos doze meses. Para as pessoas físicas, o total concedido foi de R$ 523 milhões, volume 35,5% inferior ao alcançado no mesmo período do ano passado. Já para as pessoas jurídicas, a redução foi um pouco menor, de 29,3% e atingiu a marca de R$ 1,0 bilhão.

Taxas e inadimplência

Em setembro, as entidades associadas à Anef cobraram juros de 23,43% ao ano e 1,77% ao mês, enquanto os independentes, 26,1% e 1,95%, respectivamente. O prazo médio das concessões para o mercado de veículos foi mantido em 42 meses. O prazo máximo oferecido pelos bancos é de 60 meses.

Em setembro, a taxa de inadimplência na modalidade CDC para pessoas físicas manteve o mesmo índice do mês anterior e foi de 4,6%. Porém, em relação ao mesmo período de 2015, teve alta de 0,5 pontos percentuais. Já para as pessoas jurídicas, o índice de não pagadores foi de 5,1% – uma alta de 0,1 ponto percentual na comparação com o mês anterior e de 0,7 ponto percentual nos últimos doze meses.

Nas operações de leasing, a taxa foi de 4%, tanto para as pessoas físicas como para as jurídicas. Para o primeiro grupo, essa taxa corresponde a uma redução de 0,1 ponto percentual na comparação com agosto e de 2,1 pontos percentuais em doze meses. Já para o outro, equivale à diminuição de 0,1 ponto percentual em relação a agosto e alta de 0,8 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2015.

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