Andar de carro também cansa: veja dicas de Ergonomia para o trânsito e a estrada

Ergonomia

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Muita gente tem se preocupado com problemas causados pela grande quantidade de tempo que passa sentado no trabalho. Mas será que enquanto estamos no trânsito não forçamos a musculatura e as articulações a ponto de causar dores musculares ou problemas na estrutura óssea em longo prazo? Quem é motorista de qualquer grande centro urbano brasileiro sabe: a gente passa cada vez mais tempo dentro do carro. Por isso, Auto Revista Ceará foi buscar algumas informações e dicas de Ergonomia para saber como lidar com o “sedentarismo automotivo” tão presente nos dias de hoje.

Segundo o fisioterapeuta Leandro Barbieri, especialista em Fisioterapia Traumato-ortopédica e com mestrado em Meio Ambiente e Sustentabilidade (com linha de pesquisa em Ergonomia, ambiente e Saúde), é preciso ter em mente que o ato de dirigir deixa o corpo naturalmente tenso, porque requer atenção para várias tarefas simultâneas. Por isso, o ideal é tomar alguns cuidados básicos em relação a postura, posição do banco e descanso para o corpo depois de muito tempo dentro do carro – neste último caso, principalmente para quem está viajando.

Ergonomia1Para começar, é aconselhável colocar o banco em um ângulo tal que a coluna vertebral fique a mais reta possível. “Uma angulação próxima de 100, 110 graus”, afirma o profissional de saúde, ressaltando que deve-se evitar o ângulo de 90º, que deixa o motorista em uma posição muito rígida. Do mesmo modo, ângulos muito abertos – como aqueles que os condutores de carros tunados tanto gostam – podem ser prejudiciais. “Banco deitado demais força o pescoço e pode causar a um quadro de lombalgia e dor irradiada para os braços”, explica Leandro.

Até detalhes como a regulagem do retrovisor merecem atenção. A fisioterapeuta Geórgia Holanda informa que eles devem ficar na altura dos olhos, para evitar sobrecarga na coluna cervical (pescoço) e nos ombros. Um carro que tenha ajuste do volante também ajuda na ergonomia. “A altura a e profundidade do volante devem proporcionar o posicionamento dos membros superiores de forma que os cotovelos fiquem entre 90 e 110 graus e os ombros em posição neutra ou uma angulação que permita alcançar o volante sem fadigá-los”, aconselha ela. Além disso, o ajuste do volante deve permitir a boa visibilidade do painel, sem que seja necessário elevar ou abaixar a cabeça.

Para quem passa muito tempo dentro do carro, seja como motorista profissional ou em viagens, a medida mais importante é dar períodos de descanso para o corpo. Leandro lembra que o principal risco de longos períodos dirigindo é o sono. Outro problema é a fadiga muscular. “Dirigindo a mais de 70 km por hora, você fica tenso, e isso pode gerar câimbras nos membros”, explica. Outros males causados pelo excesso de tempo no volante são a lombalgia e o inchaço nas pernas. Para evitar tudo isso, o recomendável é fazer paradas de 10 a 15 minutos para cada duas horas de viagem.

Sobre o uso de encostos, suportes e outros acessórios, os profissionais recomendam cautela. “Há relatos de que melhora, mas não existe nada na literatura sobre ergonomia atestando que esses acessórios funcionam”, afirma Leandro. “Eu indicaria usar somente o que for vendido junto com os automóveis (acessórios de fábrica)”, diz Geórgia.

A seguir, confira algumas dicas principais colhidas pela Ford no Saúde a Bordo, evento promovido pela montadora este ano em São Paulo:


Ergonomia3Postura

– Posição dos membros superiores: mantenha os braços semiflexionados. Dirigir com eles esticados por muito tempo aumenta a sobrecarga no pescoço e nos ombros. O assento não deve ficar muito longe do volante e o encosto muito inclinado pode resultar em dores nos músculos extensores do dorso.

– Calcanhar no chão: ajuste o assento para que os pés, mesmo perto dos pedais, fiquem inteiramente apoiados no chão. Isso ajuda a corrigir a postura e reduz as dores nas costas, ombros e pernas. Assento muito baixo provoca dores no dorso e pescoço; em posição muito alta, afeta pernas, joelhos e pés.

Alongamento
– Entrelace os dedos e, em seguida, estenda os braços, mantendo os cotovelos para fora. Depois, tente esticar um dos membros junto ao peito, enquanto o outro o sustenta. Mantenha essa posição por pelo menos 15 segundos e repita com o outro braço.

– Para diminuir a tensão do pescoço, gire a cabeça lentamente para um lado e depois para o outro, repetindo o movimento três vezes. Coloque também sua mão sobre a orelha oposta, por cima da cabeça, e puxe por ao menos 10 segundos. Em seguida, faça o mesmo com o outro lado.

– Para melhorar a circulação e desenvolver a musculatura da panturrilha, flexione a planta dos pés, como se estivesse jogando os dedos para baixo. Depois, faça o inverso, apontando os dedos para cima. Repita pelo menos dez vezes a cada 30 minutos.

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