Célula de combustível, picape de resgate: os carros elétricos da Renault-Nissan

Carros elétricos

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A Nissan e a Renault, empresas pertencentes ao mesmo grupo, têm empreendido louváveis esforços no sentido de popularizar carros elétricos – até mesmo no Brasil, país cuja burocracia e falta de visão fazem o que podem para inviabilizar os modelos com essa tecnologia.

Da parte da Nissan, por exemplo, o seu carro elétrico Leaf foi apresentado em todo o Brasil, incluindo Fortaleza, há cerca de três anos, quando ele ainda nem era sequer homologado para rodar no país. E há expectativa de que ele comece a ser comercializado por aqui ainda este ano. Já em relação à Renault, a montadora foi uma das pioneiras na tecnologia de veículos 100% elétricos com o Twizy, que teve os emplacamentos liberados no fim de 2015.

Reunimos aqui notícias recentes das duas empresas sobre seus investimentos no uso da energia elétrica para a mobilidade. Embora alguns deles não sejam direcionados para o Brasil, não deixa de ser um alento, já que, cedo ou tarde, mesmo com o governo atrapalhando, esse sistema acabará chegando para nós.

Novas tecnologias para carros elétricos

A primeira delas é que a Renault e a Powervault, empresa que comercializa um sistema de bateria inteligente domiciliar, anunciaram parceria para dar nova vida às baterias dos veículos elétricos, transformando-os em unidades de armazenagem residencial. A cooperação, de acordo com o comunicado das companhias, vai reduzir o custo das baterias inteligentes Powervault em 30%, favorecendo a expansão deste sistema de energia domiciliar que já representa um grande mercado consumidor no Reino Unido.

Nicolas Schottey, diretor do Programa de Baterias e Infraestruturas de Veículos Elétricos da Renault, afirma que com a parceria a Renault dá mais um passo em sua estratégia global com foco na segunda vida das baterias. A segunda vida, de acordo com ele, oferece não apenas um período de utilização complementar às baterias dos carros elétricos antes da reciclagem, mas também permite que os consumidores façam economia. “Trata-se de um círculo virtuoso em que todos ganham, desde os proprietários dos veículos elétricos até os proprietários dos imóveis e, principalmente, o planeta”, afirma.

As baterias utilizadas nos carros elétricos geralmente têm uma vida útil de 8 a 10 anos. Entretanto, elas ainda têm capacidade suficiente para aplicações estacionárias, oferecendo uma vida útil adicional antes de serem recicladas. Por meio do sistema Powervault, a vida útil complementar das baterias Renault é estimada entre 5 e 10 anos.

Outra novidade da Renault é um sistema de recarga dinâmica de carros elétricos que permite recarregar a bateria com o carro em movimento. Parceira da Qualcomm Technologies e da Vedecom, a montadora está envolvida na concepção de uma tecnologia capaz de recarregar 20 kW a uma velocidade de até 100 km/h. Em uma pista de testes, dois Kangoo Z.E. podem ser recarregados simultaneamente e movimentando-se em direções opostas.

A demonstração dinâmica da recarga foi realizada em uma pista de testes de 100 metros construída pela Vedecom no bairro de Satory, município de Versalhes, nos arredores de Paris. A Qualcomm Technologies e a Vedecom instalaram a primeira parte do sistema de recarga dinâmica de veículos elétricos na pista de testes, enquanto que a Vedecom e a Renault se encarregaram da segunda parte, utilizando dois Renault Kangoo Z.E.

Os testes avaliaram o funcionamento e a eficácia da transferência de energia para os veículos tendo em vista um amplo leque de cenários de utilização, incluindo a identificação e autorização de acesso, acordo de nível de potência entre a pista de rolamento, bem como a velocidade e alinhamento do veículo em relação à pista.

A iniciativa da Renault está inserida no Fabric, um projeto de 9 milhões de euros financiado parcialmente pela União Europeia. Lançado em janeiro de 2014, devendo se estender até dezembro de 2017, o projeto tem foco na viabilidade tecnológica e econômica e na sustentabilidade socioambiental da recarga dinâmica de veículos elétricos sem fio.

Participam do projeto 25 parceiros de 9 países europeus, organizados por meio de um consórcio que inclui montadoras de automóveis, fabricantes de autopeças, fornecedores de serviços e organismos de pesquisa em infraestrutura viária, energética e automobilística.

Carros elétricos da Nissan

Procurando estar à frente nas tecnologias de carros elétricos, a Nissan anunciou o desenvolvimento do protótipo de um veículo movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), que funciona através de energia elétrica de bioetanol. Com a combinação dessa com outras duas tecnologias (motor e baterias elétricos), o Nissan SOFC consegue autonomia superior a 600 km. E notícia boa para nós: por contar com uma ampla rede de abastecimento – e ser um dos principais produtores de etanol do mundo –, o Brasil foi escolhido pela empresa japonesa como o país para desvendar mundialmente a novidade e a fazer os primeiros testes.

Realizado com dois veículos equipados com SOFC, o primeiro período de testes de abastecimento e utilização no dia a dia foi realizado nos últimos meses pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da Nissan do Brasil e demonstrou que a tecnologia de adapta perfeitamente ao uso cotidiano e ao combustível brasileiro, ainda mais pelo fato de o país ter infraestrutura já existente para abastecimento com etanol em todo o seu território.

Mostrado pela primeira em agosto do ano passado, no Rio de Janeiro, em um evento sobre a Mobilidade Inteligente da Nissan, a nova tecnologia apresenta uma “Célula de Combustível e-Bio”, com um gerador de potência movido por meio de uma SOFC, que se utiliza da reação de diversos combustíveis com oxigênio, incluindo etanol e gás natural, para produzir eletricidade altamente eficiente.

A parte triste da notícia é que a montadora nada falou, em seu comunicado sobre o novo modelo, em relação a prazos para que ele esteja disponível no mercado. Tampouco informou sobre expectativa de preço do carro.

 

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