Idle Giants: conheça a iniciativa que luta por caminhões e ônibus elétricos

Idle Giants

Compartilhe:

Idle Giants – Duas coisas fazem parte do senso comum, quando se fala em veículos da linha pesada. A primeira é que caminhões e ônibus, a despeito de todas as inovações tecnológicas implantadas, seguem sendo bastante barulhentos e emitindo uma fumaça incômoda dos escapamentos. E a segunda: toda as vezes que temos uma crise de petróleo, ficamos em polvorosa diante das consequências do aumento do preço do diesel. Dito tudo isso, cresce cada vez mais o debate em torno da diversificação de fontes de energia para a frota dos modelos de transporte.

Para quem ainda não conhece, há uma coalizão que reúne entidades da sociedade civil na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil chamada Idle Giants que está empenhada para convencer grandes fabricantes de caminhões médios e pesados ​a acelerar a transição para veículos com emissão zero. O principal foco está nas marcas Volvo, Daimler (detentora da Mercedes-Benz) e outras europeias que, segundo eles, concentram mais de 80% do mercado global. Elas continuam produzindo e vendendo caminhões a diesel e “esse atraso tem graves consequências para a saúde pública, o meio ambiente e a economia global”, diz a Idle Giants.

O contraponto a isso é, mais uma vez, a produção vinda da China. “Com vendas globais de caminhões elétricos crescendo quase 80% em 2024, o avanço chinês transforma a eletrificação em um tema de pura competitividade industrial. As fabricantes asiáticas já ganham espaço com modelos mais acessíveis: no Brasil, caminhões da Sany custam entre R$ 1,8 milhão e R$ 1,9 milhão, enquanto equivalentes de marcas tradicionais chegam a cerca de R$ 2,5 milhões”, afirma a entidade.

Um novo relatório da Idle Giants aponta que as montadoras tradicionais correm o risco de serem ultrapassadas por novas concorrentes – especialmente as chinesas – caso não consigam ampliar a produção de caminhões elétricos. Além da Sany, são citadas a XCMG, que lançou uma linha completa de caminhões elétricos, e investimentos no mercado de ônibus elétricos da América Latina vindos da BYD (que lidera com quase 44% da frota), da  Foton e da Yutong. “No geral, as fabricantes chinesas respondem por aproximadamente 85% de todos os ônibus elétricos em operação na região”, afirma a Idle Giants.

A avaliação é de que, embora as montadoras europeias ofereçam veículos pesados elétricos em seus portfólios, o ritmo da eletrificação nelas ainda é lento. Em relação aos veículos leves, por exemplo, é apontado um atraso médio de 6 a 8 anos. “Em contraste, as fabricantes chinesas já possuem produção em larga escala de veículos pesados elétricos em seu mercado interno e continuam a se expandir globalmente, evidenciando uma crescente disparidade na velocidade de adoção entre as duas regiões”, conclui a entidade.

Segundo Clemente Gauer, membro da coalizão Gigantes Elétricos – iniciativa brasileira para avançar a eletrificação de caminhões pesados –, “alguns grandes fabricantes europeus ainda estão avançando muito lentamente na transição energética em países em desenvolvimento, mantendo o foco na produção de veículos pesados com motor de combustão interna. Ao mesmo tempo, ao adiarem a descarbonização, essas empresas correm o risco de perder participação de mercado para novas empresas, que já demonstram liderança na eletrificação do setor. Esse cenário ressalta a necessidade de uma mudança estratégica, focada na redução de preços para expandir o mercado, no aumento do investimento em veículos elétricos e no apoio a regulamentações capazes de viabilizar a transição em larga escala”.

Brasil é visto como “grande oportunidade” pela Idle Giants

A maioria das distâncias percorridas pelos caminhões no Brasil ocorre em rotas de 100 a 600 km, distâncias que já estão dentro do alcance dos caminhões elétricos atualmente disponíveis. Por isso, o País é considerado um bom mercado para o crescimento desse tipo de veículo de carga. A Idle Giants aponta exemplos de iniciativas que ela avalia como “avanços concretos”: o projeto e-Dutra, que prevê a criação de um corredor com pontos de recarga e a operação de mil caminhões elétricos no trecho entre Rio de Janeiro e São Paulo até 2030.

A infraestrutura do projeto prevê a instalação de hubs de recarga ultrarrápida a cada 100 quilômetros ao longo da Rodovia Dutra, abastecidos por energia solar e eólica, para atender. Entre os parceiros envolvidos nessa proposta estão os operadores logísticos EcoRodovias e LOTS Group, além do Governo Federal e de montadoras para a substituição dos veículos movidos a diesel por modelos elétricos.

Com isso, “a infraestrutura já está avançando e a tecnologia de caminhões elétricos já permite percorrer grandes distâncias, mas ainda falta um passo decisivo das próprias montadoras, que concentram a maior parte do mercado: ampliar a produção no Brasil. A escala é o fator determinante nessa transição, pois volumes maiores reduzem os custos por veículo e garantem vantagens competitivas difíceis de replicar. Ao desbloquear esse volume, os fabricantes podem viabilizar economias de escala e se posicionar para atender aos padrões de emissão”, acrescenta Gauer.

Outro benefício mais óbvio da eletrificação é a proteção das empresas contra a volatilidade dos preços dos combustíveis. Pelo tamanho avantajado, caminhões e ônibus têm menos problema de espaço para acomodar baterias que garantam boa autonomia. Ter uma frota que não dependa apenas do diesel para rodar e podendo ser abastecida por fontes renováveis beneficia não só caminhoneiros e transportadoras, mas também os consumidores – que vão sofrer menos o impacto nos preços dos produtos.

 

 

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais conteúdo para você

Relacionados

caminhões

Artigo: a nossa perigosa dependência do transporte via caminhões

Caminhões – O Brasil é um gigante continental que tenta se mover por um gargalo. É impossível olhar para o nosso mapa logístico sem sentir o peso de uma escolha histórica: abrimos mão dos trilhos para apostar tudo no transporte de caminhões em asfalto. Enquanto os Estados Unidos operam sobre mais de 260 mil quilômetros de ferrovias e a Europa integra modais com precisão cirúrgica, o Brasil sobrevive com uma malha ferroviária de apenas 32 mil quilômetros. Na prática, isso significa que a espinha dorsal da nossa economia, ou seja, 65% de tudo o que produzimos e consumimos, repousa sobre quatro eixos e uma carroceria, estrutura básica dos caminhões. Neste

umidade

Artigo: entenda o impacto da umidade sobre o desempenho do carro

Umidade e seus perigos – Uma pesquisa realizada pela Webmotors revela que a maioria dos brasileiros já adota uma rotina regular de manutenção preventiva com os seus veículos e tem consciência da importância deste cuidado. Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados realizam a revisão do carro pelo menos duas vezes ao ano, 26% fazem uma inspeção anual e 17% examinam o veículo a cada quatro meses, avaliando elementos essenciais, como os lubrificantes automotivos. Em geral, a manutenção preventiva é sempre mais econômica do que esperar um problema aparecer. Porém, mesmo com as revisões em dia, imprevistos podem acontecer. Em períodos de chuva mais intensas e frequentes, por exemplo, surge um

Luce

Ferrari decide arriscar e lança o Luce, supercarro elétrico. Vai dar certo?

O início de um novo capítulo na história de excelência e inovação em engenharia da Ferrari”. É assim que a lendária fábrica italiana de supercarros anuncia o Luce, um de seus mais novos modelos. O principal motivo para isso é que o carro representa o esforço da empresa para se adequar aos novos tempos de produtos menos poluentes. É uma iniciativa arriscada para uma marca tradicionalmente associada a motores convencionais. O tempo dirá se vai dar certo. O nome “Luce” (luz, em italiano), segundo a fábrica, evoca clareza e direção e representa uma iluminação do caminho para o futuro não “Ferrari elétrica”, mas uma Ferrari completamente nova, projetada para um

BYD

BYD anuncia sistema God´s Eye de direção inteligente para 2027 no Brasil

A BYD confirmou a chegada ao Brasil, a partir do próximo ano, de uma de suas mais recentes inovações tecnológicas: o sistema avançado de assistência à condução God´s Eye (em português, “olho de Deus”). O recurso é pautado por três objetivos estruturais: zerar os acidentes de trânsito, permitir que os sistemas de assistência atuem com a precisão de um motorista experiente e utilizar a inteligência artificial (IA) como uma assistente pessoal avançada. “A BYD dá mais um passo na estratégia de direção inteligente com o avanço do sistema God´s Eye e das novas tecnologias de assistência à condução. O Brasil faz parte desses planos, e o centro de inovação e

Assine

Recebe novidades e ofertas de nossos parceiros na integra em seu e-mail