Quer deixar o carro na garagem, de vez em quando? Que tal uma bicicleta elétrica?

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Para quem está cansado de enfrentar trânsito lento, ameaças de flanelinhas e falta de vagas para deixar o carro e começa a pensar na bicicleta como meio de transporte alternativo, talvez a melhor maneira de fazer a transição seja através das elétricas. Elas são bem mais caras que as tradicionais, mas garantem muito menos esforço – principalmente se o usuário é recém saído do conforto do automóvel, onde só gastava energia para pisar no acelerador e no freio.

Para ingressar nesse mundo, no entanto, é importante saber algumas informações. A primeira delas é que existem dois tipos de bicicletas elétricas: uma tem acelerador no guidão e se comporta como uma motocicleta menos potente, e a outra tem um sistema no qual motor só liga se o condutor movimentar os pedais. Segundo a resolução nº 465, de 27 de novembro de 2013, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), apenas esta última, também conhecida como “pedelec” ou “pedal assistido”, pode circular livremente nas ciclovias e ciclofaixas que têm sido inauguradas em Fortaleza e várias outras cidades brasileiras.

Cláudio Henrique Santos, proprietário de dois modelos elétricos que usa alternadamente para ir ao trabalho (a cerca de 10 km da sua casa) garante que mesmo com a necessidade de pedalar para usar o motor elétrico, o esforço não é grande. “É como andar com alguém empurrando, para ajudar”, explica. Ele também lembra que muitos modelos têm níveis de potência do motor, o que garante esse esforço reduzido mesmo em subidas mais íngremes.

A autonomia da bicicleta vai depender do quanto o motor é exigido nos trajetos, mas varia, em média, entre 20 e 40 km. Vale ressaltar, também, que as pedaladas do condutor servem apenas para ajudar o motor elétrico, poupando a bateria. A carga precisa ser feita com uma fonte de energia, seja uma tomada convencional ou através de um carregador.

E se a carga acabar antes de chegar ao destino? “A força para pedalar vai depender do peso da bicicleta. Mas existem elétricas leves. Além disso, elas também têm marchas, que ajudam a amenizar o esforço”, explica Cláudio. Em uma pesquisa que fizemos em sites de grandes lojas de departamentos, o peso das bicicletas comuns (sem estruturas especiais, como alumínio ou fibra de carbono) para adultos variava entre 13 e 16 kg. Já as elétricas ficavam entre 23 e 29 kg.

No que se refere à manutenção das bicicletas, Alfredo Montenegro, proprietário da loja Savana Bike, afirma que ela não é muito diferente da que é necessária para as comuns. Segundo ele, o motor só precisa ser verificado por um técnico se der algum problema. O único cuidado necessário é com poças de água com profundidade suficiente para fazer submergir o eixo dos pedais.

“Mas elas podem andar na chuva, sem problemas”, afirma ele. De qualquer forma, essa não é uma preocupação grave em Fortaleza, cidade com baixíssimo índice pluviométrico. Por fim, um componente que demanda troca periódica é a bateria. Segundo Alfredo, ela custa aproximadamente 400 reais, em média, e sua vida útil vai depender do uso e da quantidade de cargas que recebe. Mas para um condutor comum, que faça trajetos diários de curta distância, ela pode durar até um ano.

Falando em trajetos curtos, o empresário Paulo Angelim, usuário de bicicletas há pouco mais de um ano, afirma que o sucesso da sua experiência tem despertado o interesse de muitos amigos. Tanto que ele resolveu abrir sua própria loja, a Bike Viva, programada para começar suas atividades já no começo de 2015. Ele ressalta que o veículo elétrico é ágil e prático. “Quase sempre chego antes dos amigos que vão de carro para os lugares e saíram junto comigo”, afirma. Paulo lembra, no entanto, que a bicicleta elétrica não é capaz de substituir completamente o automóvel, mas é um veículo muito bom para trajetos de até 20 km na cidade.

Para quem se interessou por essa opção de transporte, vale dizer que, como tudo no Brasil, as bicicletas elétricas não são muito baratas. O preço fica entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, dependendo do modelo. Já a boa notícia é que elas podem ser compradas em até 10 parcelas e já existem marcas se consolidando e com unidades de montagem no Brasil, como a Sense e a Dafra, o que é garantia de assistência técnica regular e abre a possibilidade de preços mais em conta no futuro, já que a demanda é crescente e a tendência é de produção em escala, em médio prazo.

 

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