Mulheres no setor automotivo: mais motoristas, mais mecânicas

mulheres no setor automotivo

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Em 1980, o Brasil tinha, em média, 98,7 homens para cada 100 mulheres. Em 2022, esse número havia baixado para 94,2. Revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa diferença faz parte de uma realidade que percebemos facilmente no cotidiano: a participação feminina nos mais diversos setores da sociedade só aumenta. E o universo automotivo não fica fora disso.

Além de influenciar na decisão de compra do automóvel nas famílias que têm homens, as mulheres estão assumindo, em uma proporção crescente, sozinhas as suas próprias famílias, e com renda suficiente para escolher o modelo que quiserem, sem influências. Essa autonomia também se estende para a manutenção: Elas querem entender mais sobre os carros, para chegar na oficina com mais segurança e evitar gastos que podem ser desnecessários.

Esse movimento estimula iniciativas como a comunidade chamada Dona do Meu Destino, voltada para a educação automotiva feminina e que promove oficinas práticas e conteúdos acessíveis sobre manutenção e funcionamento de veículos. Outro exemplo é a Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo (Amma), que promove treinamentos e produz dados sobre a presença feminina no setor, dentre outras atividades.

Vittória Gabriela, que está à frente da Dona do Meu Destino, afirma que sua experiência tem mostrado dois pontos críticos para as mulheres, quando o assunto é tomar decisões sobre o automóvel. O primeiro é na hora de escolher o modelo a ser comprado. Ela lembra que carros, no Brasil, representam um investimento alto e que pesa no orçamento mensal.

“As mulheres, quando decidem estudar e entender melhor sobre o assunto, são muito interessadas e têm muitas dúvidas. Elas querem saber desde questões relacionadas à tecnologia até os custos de manutenção, se o carro exige uma manutenção mais robusta e se é um veículo confiável, que não vai deixá-las na mão”, diz Vittória.

O segundo é na hora de levar o carro ao mecânico. De acordo com a influenciadora digital, muitas mulheres ainda têm insegurança nesse momento, principalmente pelos casos constantemente noticiados de mulheres que são enganadas por mecânicos. “Existe a percepção de que, por não terem conhecimento técnico, elas podem ser cobradas a mais ou receber serviços desnecessários. Isso acaba gerando uma insegurança muito grande e é, sem dúvida, um dos temas mais fortes dentro da nossa comunidade”.

O desafio se torna ainda maior considerando que hoje há uma grande quantidade de sistemas de propulsão, ao invés do tradicional motor a gasolina ou a diesel. Temos também carros 100% elétricos e pelo menos três tipos de híbridos: há os híbridos leves, os recarregáveis e os que usam o motor a combustão apenas para carregar a bateria, ou seja, o que os move são os motores elétricos. Em todos os híbridos, o controle da propulsão envolve um sofisticado (e caro) sistema eletrônico.

A complexidade desse cenário, vale ressaltar, é difícil de enfrentar para homens e mulheres. Mas estas últimas têm a desvantagem de, muitas vezes, ainda encontrar ambientes essencialmente masculinos nas oficinas, o que pode inibi-las na hora de questionar algum gasto apresentado pelo profissional.

“É muito importante ter um conhecimento básico sobre o carro e entender que todas as peças estão interligadas. Às vezes, um problema começa pequeno e vai aumentando. O problema que estava em uma peça pode acabar afetando outras, tornando o reparo mais caro e demorado”, ressalta Vittória Gabriela.

Ela lembra outro detalhe importante. Se o defeito provoca a parada do carro na rua ou em uma viagem, o problema de segurança é mais grave para as mulheres. Para minimizar esse risco, há algumas medidas básicas que precisam estar na agenda das motoristas: calibrar frequentemente os pneus, conferir o nível dos fluidos (líquido de arrefecimento, óleo do motor, óleo do freio, etc) e verificar os pneus depois do carro passar por algum buraco grande são alguns deles.

Mais mulheres no setor automotivo é uma tendência

“Além desses cuidados de rotina, é importante saber quando levar o carro ao mecânico. Existe uma certa frequência para isso e, dependendo do uso do carro, pode ser de seis meses a um ano”, conclui Vittória Gabriela. E sobre um possível medo das mulheres com esse contato com um profissional do sexo masculino, há uma boa notícia, que é o aumento de técnicas mulheres no setor automotivo.

Segundo o Sincopeças São Paulo, que representa empresários do comércio varejista de peças e acessórios para veículos no maior estado do Brasil, a quantidade de mecânicas tem aumentado em um ritmo acelerado. Citando dados da Oficina Brasil, plataforma dedicada à área, o Sincopeças São Paulo afirma que entre 2019 e 2025 a quantidade de mulheres trabalhado nos centros automotivos de todo o país subiu 230%.

Comparando com o total de homens, ainda há muito o que crescer, porque o percentual de mulheres passou de 5% para 16,5%. Mas já pode ser um alento para muitas motoristas saber que há mais chances de encontrar uma profissional do seu gênero, com a qual talvez possam se sentir mais à vontade.

Em resumo, diante de um mercado com muitos desafios para entender o funcionamento de carros cada vez mais caros e sofisticados, todos, independentemente de gênero, precisam aprender mais sobre seus bens de consumo para proteger o bolso. Mais diversidade nos ambientes só tende a ajudar todos nesse esforço, por isso ter mais mulheres no setor automotivo é uma mudança positiva.

 

 

 

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