Test-drive Nissan Sentra 2025: carro roda macio e faz 10,4 km por litro na cidade

Nissan Sentra

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No ano passado, o Nissan Sentra foi o segundo sedan médio mais vendido do Brasil no ranking de emplacamentos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), ficando atrás apenas do imbatível Toyota Corolla. Mas já nos últimos meses, sua vice-liderança parecia ameaçada pelo King. Este último modelo é da chinesa BYD, que tem apresentado crescimento significativo no mercado nacional. E em janeiro último, a virada se concretizou, com o carro chinês abocanhando 18% do mercado, contra 10% do Sentra.

Andamos na versão 2025 do modelo da Nissan, o que ajudou um pouco a entender esse contexto, no Brasil, do seu segmento. A versão foi a de entrada Advance, que com a pintura perolizada sai por R$ 168.890,00 no site da montadora. Em termos de preço e acessórios, essa versão é próxima do Corolla XEi, que custa aproximadamente R$ 164 mil. E é mais “barata” que a versão de entrada do King, a GL, que está no site da montadora chinesa por R$ 179.900,00.

O próprio site da Nissan traz um comparativo interessante entre o Sentra Advance e o Corolla XEi, no qual ela destaca a presença dos seguintes itens (ausentes no concorrente, segundo a empresa): alerta de objetos no banco traseiro, controle dinâmico de chassi, faróis dianteiros em LED, alerta de ponto cego, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, alerta avançado de colisão frontal, alerta de tráfego cruzado traseiro, bancos dianteiros com aquecimento, banco do motorista com regulagem elétrica e ar condicionado automático digital Dual Zone.

O motor do carro avaliado é um 2.0 de 16 válvulas 4 cilindros movido apenas a gasolina. Ele tem 151 cv de potência a 6.000 rpm e 20 kgfm de torque a 4.000 rpm. Esse sistema trabalha com um câmbio que já é bem tradicional na Nissan, o excelente e suave CVT. O modelo vem com borboletas no volante para simular trocas manuais, mas é de se perguntar por que ainda existe motorista atrás de trancos nas trocas de velocidade se é possível rodar com o carro na forma prazerosamente macia do CVT.

Tanto na cidade quanto em pista livre, o Nissan Sentra é um carro com desempenho satisfatório. Pelo seu tamanho generoso, que resulta em um espaço interno que não deixa ninguém em aperto, seja nos bancos dianteiros ou no traseiro, e pela proposta de ser um sedan não esportivo, o carro não tem arrancadas nervosas, embora o motor responda bem a qualquer toque mais enérgico no acelerador. E voltando ao tamanho generoso, o porta-malas, com 466 litros, é quase igual ao do Corolla (470 litros) e maior do que o disponível no King (450).

O pacote de conforto e tecnologia inclui vários itens, tornando a tarefa de andar com o carro bastante agradável. Ele inclui, além dos que já citamos, chave presencial que permite abertura das portas apenas com um leve toque na fechadura externa, banco do motorista com regulagem elétrica, computador de bordo visível em uma tela de 7 polegadas, faróis com acendimento inteligente (sensor crepuscular) e ignição com botão Push Start. Há ainda sistema de áudio com bluetooth, central multimídia e display touchscreen de 8 polegadas.

Consumo baixo do Nissan Sentra chamou a atenção

Todos esses recursos, somados ao isolamento acústico interno que filtra parte considerável dos ruídos do trânsito e das ruas, fazem do Nissan Sentra um carro com excelente dirigibilidade em qualquer cenário. E um detalhe extra chamou a atenção: o consumo de gasolina marcou uma média de 10,4 km por litro – chegando até a picos de 12, depois de muito tempo em via expressa (sem semáforos).

Diante de tal performance, por que o Nissan Sentra perdeu o segundo lugar em vendas para o BYD King, nos números de janeiro? Podemos supor que seja pelo fato do carro chinês ser um híbrido plug-in, capaz de rodar apenas no motor elétrico movido por uma bateria com carregamento externo. Embora seja mais caro, ele seduz pela nova tecnologia, que oferece menos gasto com combustível e é mais atualizada, considerando a tendência mundial. Mas falando de China, naquele país o Sentra é vendido com o nome de Sylphy e já tem motorização híbrida (use o serviço de tradução do navegador para acessar). Logo, talvez não seja complicado para a Nissan fazer uma atualização do carro por aqui.

Por outro lado, a vantagem do Sentra possa, contraditoriamente, estar no sistema de propulsão, com uma mecânica extremamente confiável e garantia de anos sem preocupação para o proprietário do carro. Já a novidade híbrida plug-in do BYD King, ainda não sabemos como se sairá depois de muitos quilômetros rodados. Por isso, afirmamos com base em nossa experiência do test-drive e do que já conhecemos da empresa que o fabrica: o Nissan Sentra continua sendo uma opção a considerar no segmento de sedans médios.

 

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