Tera – Uma das maiores angústias deste jornalista que vos fala e que não é fã de SUVs foi a constatação de que esse tipo de modelo caiu nas graças dos consumidores brasileiros e começou a “eliminar” dos portfólios opções como hatches mais espaçosos e minivans. O futuro seria ter de andar em um trambolho que gasta muito e mal cabe nas vagas de estacionamento?
Felizmente, o mercado mostra cada vez mais opções racionais e viáveis. Uma delas, tivemos oportunidade de conhecer melhor através de um test-drive de uma semana: o novo Tera, lançado recentemente. Começando pelo comprimento, o dele nada tem de exagerado: com 4,14 metros, ele chega a ser um pouco mais curto que o Chevrolet Ônix, que é um hatch, Isso seria um demérito? De forma nenhuma. O que pudemos perceber é que o carro reúne características boas dos SUVs, como um porte mais robusto e altura do solo mais amigável para a buraqueira de nossas ruas, e consegue ser um veículo mais manobrável na cidade.
Em relação ao consumo, outro ponto que faz esse jornalista não ser um simpatizante dos SUVs (especialmente aqueles a gasolina), o Tera usa um motor já consagrado pela eficiência, o 1.0 TSI. Trata-se de um equipamento com três cilindros, adaptado à tendência de downsizing (menos tamanho, boa potência e mais economia de combustível) que está em vigor no automobilismo mundial.
O carro de test-drive era equipado com uma versão do motor 1.0 TSI com 116 cavalos potência, combinado com transmissão automática de 6 marchas (há também versões com um motor 1.0 MPI de 84 cv e câmbio manual de cinco marchas). Na condução diária, tanto a diversão (para quem gosta de dirigir, como este jornalista) e a economia dependem apenas da pisada no acelerador. Se a pressão for pouca, o Tera anda tranquilo – mas vale ressaltar, não como os 1.0 sofridos, que sofrem quando o carro está lotado. Ele se comporta apenas com arrancadas mais leves. Isso resulta, obviamente, em menos gasto de combustível. Em algumas situações, andando na BR 116 (mesmo em trechos urbanos), o computador de bordo registrou uma média de 14 km por litro.
A tecnologia TSI (“Turbocharged Stratified Injection”, algo como “Injeção Estratificada Turbo”, em português) se baseia na injeção direta de combustível sob alta pressão diretamente na câmara de combustão. Isso permite mais pulverização do combustível (distribuição em gotículas, aumentando a capacidade de se combinar com o oxigênio). Um dos resultados disso é o menor consumo, graças à eficiência obtida.
Já a função do turbo é aumentar a massa de ar recebida pelo motor – mais ar significa mais oxigênio, o que também aumenta a eficiência da combustão. Uma válvula controla a passagem dos gases de escape pela turbina. Ela fica fechada em baixas rotações, acumulando o ar com pressão para que ele seja usado quando necessário.
O resultado disso, no dia a dia, é que o Tera responde de forma tranquila no trânsito e tem torque satisfatório quando o motorista pisa no acelerador. Por ser um modelo compacto, a relação peso-potência se mostrou adequada. Não é um veículo de condução esportiva, mas atende muito bem a necessidade de uma ultrapassagem, por exemplo, quando há demanda.
Versão que guiamos do Tera agradou em acabamento e conforto
Em relação a conforto interno, se a Volkswagen, durante algum tempo, ficou conhecida por fabricar carros robustos mas espartanos nas opções de entrada, o Tera veio para mostrar que ela quer deixar esse passado para trás. Os acabamentos da versão guiada, a topo de linha High, havia várias superfícies macias ao toque e texturas com visual agradável.
Destaque para alguns itens presentes nesta versão: acesso ao veículo só com a aproximação da chave, partida do motor por botão, volante revestido com funções para controle de multimídia e computador de bordo, painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas e carregador de celular por indução.
E no auxílio à condução, dois itens completamente viciantes: o ACC (Controle adaptativo de velocidade e distância) e o AEB (Frenagem autônoma de emergência). Com o primeiro, é só deixar o carro no piloto automático e ele vai acompanhar a velocidade do que veículo que está a frente. No nosso test-drive, isso rendeu, algumas vezes, 10 minutos de descanso para o cérebro, sem grandes preocupações com as barbeiragens de terceiros. Já a frenagem de emergência é uma tranquilidade a mais, por saber que em situações de eventuais desatenções por cansaço há um sistema que ajuda a aumentar a segurança.
A lista de itens de série em todas as versões do Tera é razoável para um modelo de entrada: inclui seis airbags, direção elétrica com ajuste de altura e profundidade, banco do motorista com ajuste milimétrico de altura, computador de bordo, painel de instrumentos digital, sensores de estacionamento traseiros, portas USB na dianteira com duas saídas e assistente de partida em rampas (HHC – Hill Hold Control).
Em resumo, a Volkswagen, que já teve como principais vitrines o Fusca e o Gol, dois carros mais reconhecidos pela durabilidade do que pela sofisticação, agora está rumando para outras referências. O Tera talvez seja o exemplo mais bem acabado (sem trocadilho) dessa estratégia. Pela nossa experiência com o carro, podemos concluir que ele tem atributos para a tarefa – incluindo a mudança de ponto de vista de quem tinha certa aversão a SUVs, como este jornalista.



