De Minas ao Ceará estimulando a leitura sobre rodas: conheça a Komboteca

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Criada na década de 1940, a Volkswagen Kombi nasceu como uma espécie de “prima-irmã” do Fusca: herdou dele a mecânica simples e a robustez, com a vantagem de oferecer muito espaço para levar cargas ou pessoas. Por sua manutenção extremamente barata, tornou-se um símbolo de aventureiros em praticamente todo o mundo. No Brasil não foi diferente. E mesmo tendo saído de linha desde 2013 no País, muitas unidades do modelo continuam prestando bons serviços para quem aprecia a liberdade na estrada em nome de uma boa causa. É o caso, por exemplo, da Komboteca, do sanitarista e poeta mineiro Guilherme Salgado.

O termo vem da junção do nome do carro com a palavra “biblioteca” e não é por acaso. O viajante, auxiliado pelas habilidades de carpinteiro do pai, aproveitou a generosidade de espaço da Kombi para colocar prateleiras com livros novos e usados de um acervo formado por obras suas, de amigos e de pessoas que, sensibilizadas com sua proposta de levar o estímulo à leitura para as ruas de várias cidades do Brasil, fazem doações. O carro leva, na carroceria, o nome do seu projeto, batizado de Itinerância Poética. Veja vídeo em que ele fala um pouco sobre a iniciativa:

Segundo Guilherme, a história que culminou com a Komboteca começou com um Fusca comprado em 2013, logo após ele pedir demissão do emprego de sanitarista e dar seguimento ao desejo de andar pelo Brasil divulgando um livro que tinha escrito com poesias falando dos vários lugares que tinha conhecido em viagens a trabalho. Com o modelo, a aventura passou por interior de Minas Gerais, Chapada Diamantina, Brasília e várias cidades do interior da Bahia.

“Quando os amigos souberam que eu estava viajando e divulgando a leitura, começaram a fazer doações. E o Fusca virou uma livraria e um sebo”, lembra ele, ressaltando que a meta era viajar com o carro para o México. Depois de todas essas viagens, no entanto, ele precisou voltar para Minas Gerais. “O Fusca ficou destruído”, afirma. Foi aí que nasceu a ideia da Komboteca.

Ele viu que precisava de um carro maior e, diante das opções de vans no mercado, não hesitou em decidir pela Kombi. “Foi um pouco por influência do meu pai, que já teve vários Fuscas, e pela admiração pela história da Kombi. É um carro que sempre esteve ligado à ideia de liberdade”, explica. Além disso, contou na decisão a certeza de que ele teria um veículo espaçoso e que lhe daria pouca dor de cabeça com manutenção.

A escolha se mostrou acertada. O modelo, ano 1999, o deixou na estrada apenas duas vezes: uma por pane elétrica e outra por falta de combustível. O motor já precisou ser trocado, mas mesmo o anterior, quando estava nos últimos dias de funcionamento, nunca deixou de funcionar totalmente. “Ele falhava, mas eu sempre conseguia chegar até uma oficina”, diz.

Desde a aquisição do modelo, em 2014, Guilherme já rodou aproximadamente 16 mil km por estradas de vários estados do Nordeste. E tanto o carro quanto o motorista mostram disposição para muito mais. “Estou morando no Ceará e pretendo viajar pelo interior daqui e dos estados vizinhos. Mas se aparecer algum projeto, topo ir até o Rio Grande do Sul com ela”, garante.

Com as adaptações feitas, a Kombi tem uma estrutura de apoio que conta com cama, um lugar para fogão, as estantes dos livros e a capacidade de transforma-la em um cineclube. Onde o veículo fica parado, as pessoas podem pegar um livro emprestado para ler e comprar ou fazer doações. Veja vídeo com mais detalhes do carro:

Para quem quiser conhecer a Komboteca e o projeto Itinerância Poética, o veículo ficará até amanhã em uma feira gastronômica que acontece em um estacionamento da Praia de Iracema próximo ao Hotel Sonata. Depois, é só acompanhar as aventuras do veículo pelo Facebook (ou se comunicar com o autor do projeto), no endereço https://www.facebook.com/ItineranciaPoetica/?fref=ts.

 

 

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