Ceer: Arábia Saudita vai usar dinheiro do petróleo para fazer carros elétricos

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Ceer – Dona da segunda maior reserva de petróleo do mundo (ficando atrás apenas da Venezuela), a Arábia Saudita, no Oriente Médio, resolveu investir em um segmento que mais tem ameaçado a hegemonia das indústrias petrolíferas do mundo: a mobilidade elétrica. Anunciada em 2022, a Ceer é a primeira fábrica de carros elétricos daquele país e desde então tem se estruturado para montar sua linha de produção. Segundo os fabricantes, o nome vem do significado da palavra em árabe: algo como “mover-se em frente”.

O anúncio mais recente foi a parceria com o Grupo Dürr empresa de engenharia mecânica com expertise nas áreas de tecnologia de automação, digitalização e eficiência energética para a criação, segundo as empresas, de “uma linha de pintura inovadora e sustentável”. O novo sistema no CEER Manufacturing Complex, localizado na Cidade Econômica Rei Abdullah, começará a produção no quarto trimestre de 2026. O sistema vai usar veículos autoguiados para transporta as carrocerias dos veículos entre estações, com no sistema modular. A promessa é zero desperdício de tinta e estufas de última geração que, “combinadas com sistemas elétricos de purificação do ar de exaustão, economizam energia e reduzem as emissões de CO2”, segundo a Dürr.

A Ceer pretende projetar, fabricar e vender uma gama de veículos para consumidores na Arábia Saudita e na região que compreende Oriente Médio e Norte da África. A empresa é resultado de uma joint venture entre um fundo de investimento do governo saudita, a Foxconn (uma das maiores empresas de componentes eletrônicos do mundo, com sede em Taiwan) e a tradicional marca alemã BMW, que dispensa apresentações.

Desde o anúncio da nova indústria automobilística, o governo saudita vem mostrando a intenção de entrar nesse novo mercado de forma competitiva. Uma das ações foi o estabelecimento de 11 parcerias (aproximadamente 1,5 bilhão de dólares de investimento) com empresas locais para atingir a meta de 45% de nacionalização dos carros. Outro objetivo é instalar uma linha de prensagem (processo em que bobinas de aço ou alumínio são transformadas em painéis estruturais e de carroceria como portas, capôs, tetos e para-lamas através de prensas de alta tonelagem. As prensas e linhas de corte a laser, segundo a Ceer, terão capacidade de produzir até 64 peças por minuto.

Ceer faz parte de investimentos em sustentabilidade

A Ceer está inserida no plano Visão 2030, lançado em 2016 pela Arábia Saudita para para diversificar sua economia e reduzir a dependência do petróleo. Dentre as principais atividades com potencial para isso estão o turismo, a tecnologia e o desenvolvimento do setor privado do país, devido à receita gerada pela venda de combustíveis fósseis ainda tem boa parte de sua economia movimentada pelo estado.

Não há dúvida de que o governo saudita tem recursos para bancar um projeto tão ousado como esse, de criar do zero uma indústria competitiva de carros elétricos com várias montadoras de todo o mundo investindo há anos no segmento. E onde a China, hoje, tem uma expertise inquestionável em termos de produção de veículos bons e acessíveis. Mas vale lembrar que outro projeto, tão grandioso como esse, foi anunciado há alguns anos e não vingou.

Trata-se da cidade futurista que ganhou o nome de The Line, onde supostamente as pessoas viveriam em um espaço com centenas de quilômetros de comprimento e 200 metros de largura. Construído no meio do deserto, o centro urbano teve seu projeto reduzido ao longo dos anos por várias razões. E hoje especula-se que vai virar um centro de dados, ao invés de uma nova cidade.

Até agora, eu seus comunicados, a Ceer não falou objetivamente data oficial para início da produção de seus carros nem especificou modelos ou preços, mas a expectativa é que seja ainda em 2026. Há imagens de um carro conceito que são facilmente encontradas na internet, mas como a fábrica não confirma, pode ser apenas especulação. O fato é que, se o projeto realmente vingar, o mundo só tem a ganhar com mais uma alternativa de mobilidade elétrica. E se o alvo da nova empresa é o Oriente Médio e o norte da África, é de se imaginar que a meta é desenvolver modelos acessíveis.

 

 

 

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