Test-drive: Fiat Argo, uma boa opção no mercado de compactos

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Desde o lançamento das versões antigas do Palio e do Uno, a Fiat não teve sucessos arrebatadores no segmento de carros compactos de entrada. O Novo Palio e o Novo Uno também tiveram bom desempenho de vendas, mas foram aos poucos perdendo terreno para os concorrentes. Com o lançamento do Argo, a montadora parece ter chance de recuperar o terreno perdido.

Começando pelo design, o modelo é de longe o mais bonito, dentro desse segmento, já lançado pela montadora, considerando quesitos como tendências e soluções adotadas pelos concorrentes. Sua silueta lembra um pouco tanto o Volkswagen Gol quanto o Hyundai HB20, e nesse caso, não é nenhum demérito, já que ambos têm linhas bastante agradáveis.

Ainda nesse tema, chama a atenção o fato de que a Fiat parece ter deixado de apostar no visual “exótico” de faróis grandes e de bordas arredondadas, como os adotados no Novo Uno e no Novo Palio, para se concentrar naquilo que agrada os brasileiros, que é uma aparência mais imponente. Afinal, todos sabemos que carro, no nosso país, é símbolo de status e as pessoas querem que isso seja evidente até no segmento dos modelos compactos e mais “baratos”.

Já em relação à abrangência de mercado, outro ponto que pode ser positivo para o Argo é o fato dele ter nada menos que sete versões, começando em pouco menos de R$ 47 mil e chegando até próximo de R$ 80 mil. São três opções de motores (1.0, 1.3 e 1.8) e três de câmbio (manual, automatizado GSR e automático). Com isso, pode agradar desde quem procura um carro simples, robusto, bonito e relativamente bem equipado, até os consumidores que procuram um pouco mais de ostentação com seu compacto.

Tivemos oportunidade de guiar um Argo na versão topo de linha HGT com câmbio manual (há uma versão acima com transmissão automática de seis velocidades), que é dotado de vários detalhes de acabamento para torna-lo mais imponente e com aparência esportiva. O detalhe mais interessante sobre o carro foi a capacidade que esse visual teve de atrair olhares curiosos e comentários. Muita gente veio perguntar e comentar sobre o design do modelo, sempre em tom elogioso.

Design e dirigibilidade do Fiat Argo

Tanto externa quanto internamente, a versão que guiamos era muito bonita. No interior, pareceu que a Fiat resolveu adotar como referência o padrão de qualidade adotado em modelos como Punto e Bravo, distanciando bastante o Argo do Novo Uno e do Novo Palio. O sistema de multimídia com tela de 7 polegadas touchscreen fica protuberante no painel e poderia até não ficar harmonioso, mas foi bem projetado, dentro do conjunto, e vira um chamativo a mais até para quem está do lado de fora do carro.

Em termos de dirigibilidade, o Argo também parece ser uma clara evolução dentro dos compactos da Fiat. Ele não é um carro grande nem longo, mas se comporta como tal. A suspensão é firme sem perder o conforto e o modelo passa pelos desníveis sem transmitir muito incômodo para os ocupantes do habitáculo. A direção elétrica, levíssima, torna a condução agradável dentro da cidade, onde as manobras para estacionar são frequentes.

O câmbio manual da versão que guiamos também satisfaz. Tem engates precisos e relações curtas de marcha. Em relação ao motor 1.8, seu comportamento não é bem de esportivo, em relação ao torque. Tem um desempenho mais para suave no prolongamento das arrancadas. Mas sua potência se mostra na disposição do carro ao toque do acelerador: se o condutor pisar com um pouco mais de força, o Argo canta pneu de primeira e de segunda.

Falando da posição do motorista, outro ponto positivo do compacto da Fiat é que a regulagem permite uma considerável variação. Isso agrada tanto quem aprecia ficar mais “afundado” como os que gostam da posição alta – este último grupo, formado em boa parte pelo público feminino.

Em resumo, a Fiat parece ter tentado fazer um modelo o mais versátil possível, agradando muitos tipos de consumidores, considerando tanto gostos como bolsos. Em uma pesquisa de preços entre concorrentes de peso, como o Hyundai HB20 e o Chevrolet Ônix, o Argo tem cacife para enfrenta-los. É um pouco mais caro, nas versões equivalentes às dos modelos citados, mas essa diferença é pequena. Tem a seu favor o peso da marca Fiat, associada a carros robustos, e o design mais adequado ao gosto do mercado. Pela nossa experiência como o modelo guiado, dá para ver que se trata de uma boa opção no seu segmento. Veja vídeo com comentários sobre o carro abaixo:

Versões e preços do Fiat Argo (valores iniciais, obtidos no site da Fiat)

Drive 1.0
R$ 46.800

Drive 1.3
R$ 53.900

Drive 1.3 GSR
R$ 58.900

Precision 1.8
R$ 61.800

HGT 1.8
R$ 64.600

Precision 1.8
R$ 67.800

HGT 1.8 AT6
R$ 70.600

 

Ficha técnica do modelo guiado

Motor
Modelo 1.8 16V E.Torq
Cilindrada total 1.747 cm³
Taxa de compressão 12,5:1
Potência máxima 135 cv / 5.750 rpm (gasolina) e 139 cv/ 5.750 rpm (etanol)
Torque máximo 18,8 kgfm / 3.750 rpm (gasolina) e 19,3 kgfm / 3.750 rpm (etanol)
Combustível Gasolina/Etanol
Câmbio
Número de marchas 5 à frente e uma à ré
Sistema de freios
Dianteiro A disco
Traseiro A tambor
Direção
Tipo Elétrica com pinhão e cremalheira
Rodas
Aro 6,0JX16” em liga leve
Pneus 195/55 R16
Peso
Em ordem de marcha 1.243 Kg
Capacidade de carga 400 Kg
Dimensões externas
Comprimento 4.000 mm
Largura 1.750 mm
Altura (vazio) 1.505 mm
Distância entre-eixos 2.521 mm
Altura mínima do solo 157 mm
Volume do porta-malas 300 litros
Tanque de combustível 48 litros
Desempenho
Velocidade máxima 190 km/h (Gasolina) e 192 km/h (etanol)
0 a 100 km/h 9s6 (gasolina) e 9s2 (etanol)
Consumo
Ciclo urbano 11,4 km/l (gasolina) e 7,8 km/l (etanol)
Estrada 13,3 km/l (gasolina) e 9,2 km/l (etanol)

 

 

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